TDAH: moda, exagero ou finalmente estamos entendendo a condição?
- Dra. Aline Leite

- 1 de jan.
- 3 min de leitura
Nos últimos anos, o número de diagnósticos de TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) cresceu de forma significativa. Isso levantou uma questão que gera dúvidas e discussões: será que o TDAH está “na moda” e sendo superdiagnosticado? Ou será que, pela primeira vez, estamos realmente reconhecendo uma condição que sempre existiu, mas que era pouco compreendida?
A resposta passa por entender a ciência por trás do TDAH, a realidade de quem convive com ele e o impacto positivo que um diagnóstico correto pode trazer.
O que é, de fato, o TDAH?
O TDAH é uma condição neurológica real, com bases genéticas e neurobiológicas, que afeta áreas do cérebro responsáveis por atenção, motivação e controle de impulsos. Diferente do que muitos pensam, não se trata apenas de “não prestar atenção”.
A grande dificuldade está em regular para onde a atenção vai, e não na falta dela. É como se o cérebro tivesse vários estímulos competindo ao mesmo tempo, sem conseguir priorizar o que realmente importa.
Essa disfunção impacta diretamente a vida pessoal, profissional e acadêmica, podendo gerar frustração, baixa autoestima e sensação de estar sempre em dívida consigo mesmo.
O aumento dos diagnósticos: moda ou consciência?
Durante décadas, pessoas viveram com sintomas de TDAH sem sequer imaginar que se tratava de uma condição neurológica. Foram rotuladas como preguiçosas, desorganizadas ou incapazes.
Hoje, com mais informação e acesso a profissionais especializados, esses casos começam a ser identificados e tratados corretamente. É esse aumento de consciência que muitas vezes é confundido com “superdiagnóstico”.
De fato, existem riscos de diagnósticos apressados, baseados apenas em queixas superficiais, mas isso não invalida a existência da condição. O importante é diferenciar: há mais gente com TDAH sendo reconhecida, não mais gente “criando” sintomas.

Sintomas comuns do TDAH
Os sinais mais frequentes incluem:
Dificuldade em iniciar e concluir tarefas;
Esquecimentos frequentes, mesmo em atividades simples;
Sensação de sobrecarga mental, como se a mente nunca parasse;
Impulsividade e dificuldade em controlar reações;
Hiperfoco em atividades de pouco impacto, enquanto as prioridades ficam de lado.
Esses sintomas podem ser confundidos com estresse, ansiedade ou sobrecarga da vida moderna, reforçando a necessidade de uma avaliação clínica cuidadosa.
O perigo dos diagnósticos equivocados
Se por um lado a falta de diagnóstico deixa pessoas sem tratamento, por outro, diagnósticos feitos de forma rápida e sem profundidade podem levar a tratamentos inadequados.
O diagnóstico de TDAH deve ser clínico, detalhado e realizado por profissionais especializados, considerando histórico de vida, relatos familiares, desempenho escolar ou profissional e, quando necessário, ferramentas de triagem validadas.
Nem todo esquecimento é TDAH, assim como nem todo TDAH é óbvio. O equilíbrio está em buscar ajuda profissional e fugir de rótulos simplistas.
Como o tratamento pode transformar vidas
Com diagnóstico correto, o tratamento do TDAH pode mudar completamente a forma de viver e trabalhar. As principais abordagens incluem:
Terapia cognitivo-comportamental, para desenvolver estratégias práticas;
Ajustes no estilo de vida, como rotina organizada, atividade física e sono de qualidade;
Medicação, em casos indicados, para melhorar a regulação da atenção e do impulso.
O resultado é uma melhora significativa na produtividade, no equilíbrio emocional e no bem-estar geral.
Por que falar sobre isso é tão importante?
Discutir TDAH é essencial para quebrar preconceitos e combater estigmas. Enquanto alguns ainda enxergam o transtorno como desculpa para a falta de disciplina, a ciência já comprovou sua base neurológica e os impactos reais que ele causa.
Trazer o tema à tona permite que mais pessoas reconheçam os sinais, busquem ajuda e encontrem qualidade de vida.
TDAH não é moda, é realidade
O aumento dos diagnósticos de TDAH não significa que a condição virou moda. Significa que estamos finalmente entendendo e identificando um transtorno que por muito tempo passou despercebido.
Parar de se culpar e buscar ajuda é um ato de autocuidado. O TDAH não define quem você é, mas compreender e tratar a condição pode transformar sua vida.




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