TDAH: entenda os sinais e como buscar ajuda
- Dra. Aline Leite

- 3 de set. de 2025
- 3 min de leitura
Você já se sentiu sobrecarregado de pensamentos, pulando de uma tarefa para outra sem conseguir concluir nada? Essa sensação de viver em uma montanha-russa mental pode ser mais comum do que parece. Muitas pessoas acreditam que isso é apenas falta de foco ou desorganização, mas a verdade é que pode se tratar do Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), uma condição neurológica real, que não tem nada a ver com preguiça ou “modinha”.
O que é o TDAH?
O TDAH é um transtorno neurobiológico que afeta a forma como o cérebro regula a atenção, a motivação e os impulsos. Diferente do que muitos imaginam, não se trata apenas de “falta de foco”. O problema está na dificuldade em selecionar onde colocar a atenção. É como se a mente tivesse várias abas abertas ao mesmo tempo, competindo por energia, e nenhuma delas fosse encerrada.
Esse funcionamento cerebral diferente impacta diretamente o cotidiano: desde a dificuldade em organizar tarefas simples até a sensação de estar sempre atrasado ou sobrecarregado.

TDAH em adultos: um diagnóstico que muda vidas
Durante muito tempo, acreditava-se que o TDAH era uma condição exclusiva da infância. Hoje sabemos que ele pode persistir na vida adulta, e muitas vezes só é identificado tardiamente.
Na prática, isso significa que pessoas passam anos enfrentando sintomas sem compreender suas causas. Quantos adultos não carregaram rótulos de “preguiçosos”, “distraídos” ou “inconstantes”, quando, na verdade, conviviam com o TDAH sem diagnóstico?
O reconhecimento tardio da condição pode explicar dificuldades na carreira, nos estudos, nos relacionamentos e até na autoestima. Mas a boa notícia é que nunca é tarde para buscar ajuda.
Principais sintomas
Os sinais podem variar de pessoa para pessoa, mas alguns sintomas são bastante característicos:
Dificuldade em iniciar e concluir tarefas;
Esquecimentos frequentes, mesmo em atividades simples;
Sensação de sobrecarga mental, como se a mente nunca descansasse;
Impulsividade, que pode gerar decisões rápidas e, às vezes, precipitadas;
Hiperfoco em atividades de menor importância, enquanto as prioridades ficam de lado.
Esses sintomas não são resultado de má vontade. Eles refletem a forma como o cérebro de quem tem TDAH funciona.
Impactos na vida pessoal e profissional
O TDAH não tratado pode trazer consequências significativas. No trabalho, pode gerar atrasos, dificuldades para manter prazos e até prejudicar a produtividade. Nos estudos, a desorganização e a dificuldade em manter a concentração podem comprometer o desempenho.
No âmbito pessoal, há também impactos emocionais: frustração, baixa autoestima e sensação de incapacidade. É comum que pacientes relatem um sentimento constante de estarem “sempre em dívida” com o mundo, consigo mesmos ou com os outros.
O diagnóstico correto transforma tudo
O primeiro passo para transformar essa realidade é o diagnóstico clínico especializado. O neurologista ou psiquiatra avalia os sintomas, o histórico de vida e utiliza ferramentas específicas para confirmar o quadro.
Com um diagnóstico preciso, é possível iniciar um tratamento que pode incluir:
Terapia cognitivo-comportamental, que ajuda a desenvolver estratégias para lidar com os sintomas;
Mudanças no estilo de vida, como rotina estruturada, prática de exercícios e sono de qualidade;
Medicação, quando indicada, para equilibrar a regulação cerebral da atenção e da impulsividade.
O resultado é uma melhora significativa na produtividade, no equilíbrio emocional e na qualidade de vida.
Quebrando preconceitos
O TDAH ainda é cercado de estigmas. Muitas pessoas acreditam que é apenas “falta de disciplina” ou “preguiça”. Porém, quanto mais falamos sobre o assunto, mais combatemos esses preconceitos e incentivamos quem precisa a buscar ajuda.
O TDAH não define quem você é. Mas entendê-lo pode mudar sua relação com o trabalho, com os estudos e, principalmente, com você mesmo.
Quando procurar um neurologista?
Se você percebe sinais frequentes como dificuldade em se organizar, esquecimentos constantes, sensação de sobrecarga ou falta de foco que interfere no dia a dia, pode ser hora de procurar um especialista. O acompanhamento profissional é o caminho mais seguro para compreender o que está acontecendo e dar início a um plano de tratamento eficaz.
Lembre-se: buscar ajuda não é fraqueza, é autocuidado.




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